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“E O VERBO SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS”

ASSIM É:

A LUZ DOS DOZE DIAS

Socorro Viana
15 de dezembro de 2000

“Ouço Anjos, Arcanjos, Hierarquias de Luz,

que cantam, cantam, um som divino,

que soa, ressoando

em todas as terras, águas, oceanos e dimensões.

Vão ressoando infinitamente

o canto angelical que vem lá do alto

do grande Sol Central.

São luzes radiantes,

são brilhos intensos de raios de diamantes”

SHAYANA RAYAN

Apresentação

O objetivo deste trabalho prende-se a uma das mais antigas questões que envolvem a humanidade: o que é o homem no universo? Para encontrar uma resposta clara que o acalme diante da imensidade dessa pergunta, este mesmo homem, busca.

Mas, o homem da atualidade foi conduzido progressivamente para os domínios da personalidade, perdendo as raízes do seu íntimo. Com o domínio da mente a nível concreto, completamente desligado do seu interior, esse homem não hesita em apelar para os recursos negativos da sua inteligência para produzir resultados.

Os nossos recursos internos, gerenciados pelo Eu Superior, elo que nos liga a divindade, asseguram que, o valor do indivíduo se baseia na força espiritual do homem e na noção de integridade com o todo, que o valor do mesmo está ligado ao papel que é capaz de representar na devoção de atender e entender o seu próximo.

Sabemos que no plano do entendimento, onde reina a divindade em cada um de nós, não há barreiras: há harmonia, doação, unidade. É importante assumir o que nos fala a voz suprema do Amor Maior: onde houver ódio, afirmemos o amor; onde houver ignorância, afirmemos a luz da cultura; onde houver violência, afirmemos a paz.

Estamos sendo convocados para proclamar o amor, a harmonia e a beleza. Esta é a receita para que possamos transformar o coração no veículo dos nossos pensamentos porque é ele quem dita nossa maneira de pensar.

O Primeiro Dia

Java olhava o contorno das montanhas à distância, atitude que sempre tomava, quando precisava pensar. Naquela manhã, havia recebido o chamado do cura da cidade, homem considerado quase santo, que desejava falar-lhe com urgência. O que seria desta vez? Já o havia incumbido de pastorear ovelhas, substituir o professor de história da civilização, que por problemas de saúde não poderia dar aula na única escola pública da cidade, ajudá-lo nas celebrações da igreja, enfim, fazer coisas que ele nunca pensaria que podia desempenhar. Ainda pensativo, resolveu atender ao chamado. No seu íntimo, sabia que teria de enfrentar mais um desafio.

Enquanto seguia, olhava com carinho os locais que lembravam sua vida de brincadeiras, e também de crescimento. Considerava-se um aprendiz do caminho interno, mesmo que ainda faltasse muito para tornar-se possuidor da chamada “Chama da Verdade”, como se referia Miguel, o cura, que também tinha um nome de anjo além de agir como tal: protegia, ensinava, orientava e amava cada morador daquele lugar. Parecia adivinhar as aspirações de todos, seus sonhos, seus desejos, ajudando também nas suas dúvidas a respeito da vida.

Havia ensinado a Java, em determinada ocasião, que a vontade era o impulso para a abertura da porta interna e externa.

– “À vontade”, dizia, “condiciona os movimentos na vida; permite o cumprimento das relações corretas e finalmente conquista o infinito”. Fazia junção dessa palavra com as três expressões divinas do espírito, alma, corpo.

Ainda pensando, Java aproxima-se do casarão onde morava aquele que tomava, naquele momento, conta de seus pensamentos.

O Segundo Dia

Mandei te chamar porque desejo te solicitar um favorzinho! Fala com o conhecido brilho nos olhos, o querido amigo. Aquele brilho demonstrava grande animação pelo que estava a passar-lhe pela cabeça.

– Sou todo ouvidos! Respondeu Java, pensando que “bomba” seria jogada sobre ele, desta vez.

A intuição de Java, já bastante aberta, deixava claro que os ensinamentos viriam dessa vez, através de testes. O conhecimento, já sabia, era dado ao buscador de forma difícil, exigindo do mesmo, tempo e grandes esforços. Dessa forma, era possível olhar sem cessar para dentro de si, descobrindo o mundo interior. Esse passo poderia ser chamado de “Imã Cósmico”, como diria Miguel e acrescentaria ainda mais:

À medida que a visão interior se vai tornando mais ampla,

Sentiremos o despertar de novas faculdades.

O que fazemos para obter o privilegio da Iluminação Interior? O que possuímos de especial para que ele nos seja conferido?

Precisamos trabalhar em nós e por nós mesmos para que no final, possamos escutar a nossa voz interior.

– Estamos nos aproximando da época de comemoração do nascimento do Filho de Deus e, por isso chamei você aqui. Precisamos que vá até as montanhas e procure o Ancião dos Dias. Ele recolheu-se há muitos anos e vive em cavernas. Sei que procura ajudar aos homens em suas descobertas, da melhor maneira que pode. Você deverá buscar, junto a Ele, que tipo de lição deveremos levar aos habitantes da cidade, nesta época que se aproxima. Não deve ir sozinho. Procure entre os habitantes da cidade, aqueles que ajudarão nessa empreitada. Através da intuição, saberá que qualidades deve escolher nesses companheiros.

– Como farei para encontrar o velhinho? Está me dizendo que Ele recolheu-se há muitos anos naquelas paragens!

– Utilizarás o exercício da Sabedoria. Somente assim poderás encontrá-lo.

Dando por encerrado o encontro, Miguel abençoou o amigo e voltou para o interior do seu templo.
 

O Terceiro Dia

Ainda boquiaberto diante da solicitação estranha e da façanha imensa que teria de desempenhar, Java iniciou a seleção daqueles que levaria consigo. Primeiro em pensamento. Depois a referida seleção física. Para ser possível penetrar nas esferas da verdadeira criatividade cósmica, sabia ser necessário uma consciência purificada, liberta dos interesses egoísticos, externos. Somos parte do Cosmos e em sua criatividade, para sua ação, não deveriam existir obstáculos para as correntes das energias superiores.

Marcou uma reunião com algumas pessoas, principalmente aquelas que queria visualizar em conjunto. Discretamente, faria a escolha e depois a comunicação. Todos gostavam de aventuras, portanto não seria difícil a aceitação.

Em hora e local determinado, teve início à reunião. Antes do seu começo, Java entregou a escolha do Pai com a seguinte oração:

“Revela-nos a face do verdadeiro Sol espiritual, oculta por um disco de dourada luz, para que possamos conhecer a verdade e cumprir todo o nosso dever, ao nos dirigirmos para Teus sagrados Pés!”.

O Quarto Dia

Java sabia que o caminho de qualquer propósito seria alicerçado sobre a Lei do Amor Divino. Seguiria então através deste molde.

Imaginou dar continuidade a escolha, através do “jogo da verdade”, e iniciou jogando para o ar várias palavras para serem respondidas:

Para vocês o que significa a procura disciplinada?

– Eu prefiro dar o valor devido à materialidade. Primeiro busco a vida terrena, a matéria, a forma, a expressão da potente natureza do desejo e o alimento da vida emocional da personalidade. Depois, veremos o que fazer! Responde Maia.

– Para mim, continua Natureza, é saber ordenar as energias da terra, da água, do ar e do fogo. Assim, poderemos nos entender e entender a Ordem Divina que é alicerçada em respeito, compreensão e unidade.

– Não esqueçam que a constatação é necessária. Precisaremos de tubos de ensaios e de mistura em mistura conceder ao mundo a certeza do pensamento concreto, acrescenta Ciência.

– O que faríamos se não tivéssemos fé? Seríamos relegados aos porões do esquecimento de quem nós somos e da Força Suprema que nos deu a oportunidade de estarmos aqui, discutindo esses assuntos agora. Portanto, a busca subtende a espera de alcançar. Diz Esperança.

– Pessoal, necessitamos lembrar da divisão. Somos unos, sim. Com o sentido de unidade, a doação representa o que de melhor podemos oferecer para nos sentirmos o conjunto unificado da Lei Divina em ação, acrescenta Caridade.

– Ama, e tudo virá a ti, revelam os sábios de todos os tempo. E as escrituras acrescentam: “Ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e entregue meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor nada disso me aproveitará. O amor é paciente, benigno, não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Declara Paulo.

Seguiu-se um quase tumulto geral, quando Juventude se expressou, mostrando vários amigos que o acompanhavam: nós podemos tudo, porque somos jovens. Escalamos montanhas, despencamos, sem medo, de penhascos, enfrentamos a correnteza da vida, enfrentamos a disciplina com, porque não dizer, um pouco de indisciplina. Assim, buscamos. Se encontramos ou não, só o futuro dirá! E, nós prosseguimos vivendo o momento. Para que pressa? Somos jovens!

Para Java o que tinha presenciado, bastava. Possuía uma miscelânea de condições e qualidades, mesmo conflituosas, para enfrentar o desconhecido. Faria o melhor uso de tudo.
 

O Quinto Dia

No dia seguinte, muito cedo, após um leve desjejum, partiram na busca do propósito de todos: Encontrar o Grande e Velho Senhor que lhes orientariam para melhor atender os habitantes da cidade. A lição utilizariam também, para ser repassada àqueles que desejassem usufruir o Plano Divino; a glória e conscientização do dever cumprido através do amor ao próximo.

Andaram por vários dias beirando encostas montanhosas, vales, prados, seguindo por leitos secos de rios ou margeando aqueles que não podiam atravessar, parando apenas para refeições frugais. À noite procuravam locais amparados pelas árvores, pedras e armavam suas barracas após dialogarem os próximos passos, ao redor de pequenas fogueiras que faziam com gravetos secos que encontravam nas redondezas.

Assim, segundo a previsão de Java, chegariam a região montanhosa no dia seguinte. Por isso iriam dormir mais cedo. Antes da aurora recomeçariam a caminhada.

Algo deixava Java pensativo, fazendo com que dormisse mal: Tudo caminhava muito tranqüilo. Uma tranqüilidade que parecia anteceder as tempestades e isso o deixava preocupado.

A intuição do nosso amigo estava certa. Pela madrugada daquele novo dia, foram acordados com um ensurdecedor barulho do vento e da chuva. Assustados, todos levantaram-se e constataram que das encostas começavam a descer uma enxurrada proporcionando uma espécie de lavagem pela terra. Desarmaram suas tendas às pressas e procuraram sair dali o mais rápido possível. O vento parecia falar coisas esquecidas aos seus ouvidos enquanto a chuva torrencial banhava também seus corpos. Sentiam que quando a água batia em seus corpos, ao invés de frio, um fogo interno parecia emergir correndo com mais rapidez em suas veias. Silenciosos, tentaram se proteger numa pequena formação rochosa que a terra teria feito parecia a propósito, com o passar dos anos, e no seio dessa estrutura pararam para pensar.

– Perceberam o que está acontecendo? Fala Natureza. Como dizia antes de iniciarmos esta caminhada, precisávamos interagir com o todo através dos elementos. Esta é uma unção, a limpeza interna e externa. Depois de tudo, passado tudo, não só nossa cidade, mas o mundo receberá o presente divino de uma consciência unificada. Esta é a razão de estarmos nessa procura.

Com estas palavras, a Mãe Natureza, Mãe do Mundo anuncia veladamente um nascimento que será glorificado pelo Cosmos.

Todos tomaram consciência da importância daquele momento e do momento em que passava a humanidade.
 

O Sexto Dia

Após passar a tormenta e como disse Natureza, tudo limpo e ungido, recomeçaram a caminhada não sem antes efetuarem uma oração. Oravam cantando seguido por coros de anjos invisíveis, acompanhados por instrumentos divinos, numa ode angelical:

Eu Sou o enlevo e a felicidade

Eu Sou o Poder e a Vontade

Eu Sou o refúgio contra a agonia

Eu Sou o remédio diante da dor

Eu Sou a Calma e a mestria

Eu Sou a Verdade diante da fantasia!

Eu Sou a chave e a fechadura

Eu Sou a glória e a semeadura

Eu Sou a porta aberta que ninguém jamais fechará

Eu Sou a força do Amor que iluminará.

Eu Sou a Luz que vem do Sol

Eu Sou a Luz na imensidão

Eu Sou a Luz na escuridão

Eu Sou, Eu Sou, Eu Sou!

Sentiam que estavam recebendo, a partir daí a herança divina: a percepção de que a busca estava sendo próspera e que teriam, com certeza, o resultado que esperavam e ofereceriam o melhor para o povo e para eles mesmos.

O Sétimo Dia

Após o batismo dos elementos, Java sabia que numa unção, alguma coisa precisava ser ainda expurgada do interior de cada um dos seus amigos e dele mesmo, para ficar completo o processo cósmico.

A melhor coisa a fazer, naquele momento, era aproveitar para colocar em prática a Lei do perdão. Melhor transformação do que esta, não havia.

“Quando nos sentimos exaustos, cansados e abandonados – havia aprendido – o único motivo é porque, de alguma maneira, cortamos a ligação com a vida de Deus, talvez devido à fadiga e á tristeza”.

O modo de recuperação é fazermos uma viagem interna de descoberta e reparação.

Se continuarmos, por muito tempo, alimentando o orgulho e a mágoa que ferem e separam, ficamos cada vez mais exaustos.

Então, perdoe, AME, inclua nesse processo, tudo e todos em relação harmônica porque, somente assim, as nossas mentes e nossas emoções abrem-se novamente à vida e o AMOR sediado no coração, podendo atingir e restaurar a nossa saúde e vitalidade.

Concordaram todos em trabalhar o perdão e seguiram reformulando os seus próprios processos com o amor no coração. Para isso, foi fazendo, cada um, uma retrospectiva particular com a finalidade de rever fatos e condições que magoaram e foram magoados.

O Oitavo Dia

Finalmente estavam diante da enorme cadeia de montanhas, na qual teriam que descobrir a caverna em que habitava o Ancião do Dias, o Senhor do Silêncio.

Qual seria a chave básica para encontrá-lo, a contatar com Ele? Seria a clareza? Já se sentiam livres das amarras do egoísmo, da dúvida e do medo. Alem, de tudo, já haviam aprendido a prática do perdão. Mesmo assim, se sentiam um pouco ansiosos. E, se faltasse alguma coisa que não conseguiram detectar?

Juntos, repassaram cada passo da sua jornada até ali e concordaram que estavam prontos. Pelo menos, essa era a opinião geral.

Resolveram, de comum acordo, efetuarem um ensaio do que deveriam dizer quando estivessem diante do Grande Senhor, para diminuir o nervosismo que tomava conta de todos.

Coordenados pela Mãe Natureza, iniciaram as apresentações, um de cada vez.

– Senhor! Que esta saudação nos acompanhe sempre em nossa vida diária, diz Caridade.

Em seguida fala Esperança: Não pode haver uma circunstância em que um espírito valoroso não possa ver um raio de Luz!

E, todos os outros se expressam:

Paulo: Pela alegria, purificai Senhor o nosso caminho!

Ciência: Dota-nos com o dom de trazer conhecimento para os homens.

Juventude: Alegria, Senhor, Dai-nos sempre.

Maia: Fraca é a Luz do mundo. E o desejo de serviço é precisos para nós.

No final, quando todos se haviam calado a Mãe do Mundo falou:

“Louvar-te foi o que fiz com a retidão do meu coração, porque aprendi os juízos da tua justiça!

De todo meu coração te busquei e aí escondi as tuas palavras… Ensina-me as tuas justas leis!

Tira o véu dos meus olhos… Sou peregrino na terra…

Dai-me inteligência e a guardarei em meu coração.

Guia-me pela senda. Esta eu desejei…

Os meus lábios romperão num hino, quando me ensinares teus preceitos…

A minha alma viverá e te louvará…

Andei errante como uma ovelha que se desgarrou, mas busca a seu Senhor, porque não esqueci os teus mandamentos!” (Salmos – 118)

Ecoaram na montanha as últimas palavras e a emoção atingiu a todos.
 

O Nono Dia

Ainda enlevados, não haviam antes percebido que havia se juntado ao grupo, um homem muito simples, com certeza morador daquelas paragens. Suas vestes eram rotas e calçava sandálias gastas pelo tempo.

– Quiseste ouvir os nossos rogos ao Ancião dos Dias? Perguntou Caridade.

– São belas as suas palavras. Com certeza foram ouvidas por todos os recantos da terra. Responde o homem.

– Como te chamas? Pergunta Java.

– Chamam-me de Adisanat e vivo nestas paragens, desde que nasci.

Ao ouvir aquelas palavras, Java fica pensativo. Já havia ouvido aquele nome, mas aonde?

– Por acaso conheces o senhor que procuramos? Pergunta Maia. Ele é bastante idoso, um ancião, na verdade. Deve ter seu recanto em alguma gruta, neste lugar. Precisamos vê-lo e falar-lhe. Podes nos ajudar? Acrescenta.

– Poderei levá-los até ele. Precisam apenas, decidir o que desejam pedir-lhe. Acrescenta.

– Gostaríamos de perguntar-lhe o que podemos fazer, de melhor, pelo povo da nossa cidade, no período de festas que se aproxima.

– Sim! Gostaríamos de saber. Acrescentam todos em uníssono.

– Isto eu mesmo poderei falar para vocês, pois já me foi ensinado pelo Velho Senhor. E, prosseguiu: Ele nos diz que a maior dificuldade que encontramos no caminho é que cada um fala segundo sua personalidade. É preciso que haja unificação das idéias para que possa haver um entendimento.

– Ele lhe falou por onde devemos começar? Perguntou Juventude.

– Ele diz que cada um deve começar por si – as grandes e as pequenas ações – aproveitando todas as oportunidades. Assim, tudo que levar à união, à fraternidade é divino. “O mundo melhor começa comigo”, diz Ele.

– Precisamos aprender a praticar. Ele também lhe ensinou isto? Pergunta Ciência.

– A prática segue-se ao que aprendemos na teoria. Por exemplo: é bom corrigir os velhos hábitos que nos impede de melhor servir aos outros e a nós mesmos. Unam-se em torno desse pensamento, sem considerar diferenças de raça, cor, estado, credo, nacionalidade. “O bem está perto da verdade, mas inda não é a verdade. Depois de aprender a não se perturbar pelo mal, temos de aprender a não ficarmos felizes com o bem. Devemos descobrir que estamos além tanto do bem como do mal”.

O primeiro véu a dissolver é a ignorância e, quando ela se for, ir-se-á o pecado, depois cessará o desejo, terminará o egoísmo e toda miséria desaparecerá. Este é o verdadeiro nascimento.”

Depois dessas palavras, o homem simples acrescentou aos novos amigos: Se seguirem pelas margens do rio, sempre para o leste, encurtarão em muito, o caminho de volta.

Antes que pudessem entender o sentido daquelas palavras, da mesma forma sutil que apareceu, Adisanat, desapareceu aos olhos estupefatos de todos.

Java expressou-se após recobrar a voz: lembrei que o nome Adisanat, em sânscrito, significa: Ancião dos Dias.

O Décimo Dia

Após um descanso silencioso, Java conduz o grupo de volta para casa. Nessa caminhada de volta, sentiram a natureza, conviveram muito mais com o próprio pisar dos seus pés sobre o abençoado chão, conscientes de que tinham vivenciado um milagre e de que eram filhos do universo.

Sentiam que estavam de acordo com o universo e que haviam estado no paraíso da beleza e da harmonia, com certeza, existente na terra e dentro de cada um. Haviam bebido da “água que brota da Fonte da Vida” e reconhecido que o elixir era o princípio da existência. Precisavam continuar em equilíbrio para preencherem os espaços existentes entre a sombra e a luz, sendo este o maior aprendizado.

O Décimo Primeiro Dia

Chegaram, enfim, na sua cidade após tantos dias de caminhada e aprendizado.

Haviam aprendido a lição do silêncio, por isso, além da visita ao cura Miguel, que já esperava um desfecho semelhante, se recolheram para acessar os preparativos da festa do “nascimento” que seria também uma celebração.

Continuavam alegres, mas muito conscientes da força interna que agora emanava em todas as direções.

O Décimo Segundo Dia

“Ore e a terra que você pisar há de receber, como bênçãos, cada um dos seus passos”. Dizem os sábios.

Assim, Java e seus amigos haviam visto a Deus e celebrariam o nascimento do Seu Filho. Jesus Cristo seria o seu modelo divino.

Como diz Paulo: “Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje; ele o será para a eternidade”. (Hebr. 13.7)

Um coro de anjos e homens cantaram e louvaram o nascimento…

Noite Feliz! Noite Feliz!

Oh! Senhor, Deus de Amor,

Pobrezinho, nasceu em Belém…

Que a Paz reine no coração dos homens de boa vontade.

Assim seja!

A Luz

A Luz sempre representou o poder do bem para a humanidade, desde os seus primórdios e início de sua estada na Terra, sendo também a representação de sua conexão com o divino.

Dentre as descobertas que transformaram a vida do homem, sempre relaciona-se com a Luz (em resumo energia).

O trabalho desse mesmo homem com o átomo da substância e investigações no campo da eletricidade, da essência da Luz, demonstra inevitavelmente a relação entre as formas (Luz física) e a Luz interior de onde irradiam todas as formas.

O Significado do Doze

Astrologia:

Conta a lenda que Deus desejando semear o crescimento, chamou até Ele representantes de várias espécies e determinou:

^ – Áries: Dessa primeira semente plantada na mente humana, seriam colhidas muitas outras semente, como resultado da idéia divina. Para essa espécie tudo seria ação tendo como resumo ou mesmo presente, a aquisição do respeito por si mesmo.

_ – Touro: Aquela semente doada a espécie anterior, receberia esta espécie, o poder de transforma-la em uma nova roupagem. Para isto deveria ter uma enorme paciência, pelo fato de ter que terminar algo iniciado por outros. Sem depender de outros, esta espécie deveria levar a cabo a tarefa divina de alquimizar pela sábia utilização da vontade e da força.

` – Gêmeos: Em tudo o que homem vê a sua volta, encontrará o conhecimento através da sabedoria dessa espécie. O buscador viverá constantemente à procura e encontrará à medida da sua necessidade de percepção da verdade.

a – Câncer: Desta espécie será solicitada a emoção, a alegria. Isto será recebido através do entendimento do que é ser parte integrante da gração absoluta. Este núcleo é o que denomina-se família e irá além de um estabelecimento terreno, abrangendo o domínio cósmico.

b – Leão: A criação divina é mostrada ao mundo por esta espécie, na sua absoluta forma de brilhar. É importante que seja demonstrado que está criação é divina e não particular, com a finalidade de evitar o orgulho. A honra e o discernimento possuirão os portadores desse cetro.

c – Virgem: Somente através dos erros, são absorvidos os acertos. Isto será mostrado a esta espécie, pelos caminhos universais do aprendizado. O ideal de pureza será absorvido por esta espécie em todas as suas ações, pensamentos e palavras.

d – Libra: As ações dessa espécie serão refletidas em seus atos equilibrados habilmente no trabalho cooperativo e serviço prestado. O amor divinizado será o condutor da aplicação da exata medida para exata doação. Que tudo seja distribuído à medida das necessidades.

e – Escorpião: Para esta espécie não haverá barreira no entendimento das mentes humanas. No entanto, o silêncio é sacrossanto devendo ser respeitado. Nesta procura do conhecimento no homem, muitas vezes encontra-se o exercício da vivência material que escraviza. Como sintetizador encontrará o resultado e a resposta para tantas dúvidas.

f – Sagitário: A lição da esperança e discernimento nas distorções, serão condições doadas a esta espécie. Na incerteza será constante, a cada passo seguro, a prosperidade divina, dando condição do plantio da expansão da luz divina em todos os lugares, por remotos que sejam.

g – Capricórnio: O trabalho para esta espécie será um dos ensinamentos básicos. A responsabilidade é uma das armas da integridade e da concórdia. O trabalho será ensinado por estes, com muito amor no coração.

h – Aquário: A abertura do futuro e a liberdade no servir e no agir, são tendências dessa espécie, mostrando a amplitude da magnificência de Deus. Tudo será dado a quem solicitar.

i – Peixes: Entre todas as espécies, esta será aquela que receberá o dom de entender o Altíssimo no desenvolvimento do Plano Divino. Esta difícil tarefa será levada avante com muita dificuldade, principalmente porque nem todos estarão dispostos a ouvir a voz da sabedoria interna e aplicação no externo.

Runas:

Oráculo milenar ou código de mensagens utilizado pelos povos vikings, desde o ano 1300 a.C. Foi o historiador Caio Canelius Tácitus, no ano de 98 d.C., quem primeiro registrou a existência da mitologia rúnica dos povos nórdicos.

Neste oráculo, o “12” representa a colheita. É o símbolo da justiça. Dependendo do que foi plantado, o resultado é sempre justo.

Tarot:

Com uma origem antiga e quase obscura, o Tarot remonta o início da humanidade na Terra. Guardando o segredo as Sabedoria eterna, o Deus egípcio Thot registrou num “livro” composto de 78 lâminas, todo o ocultismo não revelado aos que não tivessem ultrapassado os degraus da Iniciação.

Thot sabia, que não era hora de desvendar seus segredos ao mundo. Por isso, guardou o livro numa caixa de ouro, pôs dentro de uma de prata, esta numa de marfim, em seguida numa de bronze, esta numa de cobre, guardada numa de ferro, finalmente colocou esta dentro de uma caixa de madeira resistente, depositando no fundo do Nilo.

No Tarot, o “12” representa o pendurado, mas ao mesmo tempo o sacrifício. É hora de abrir mão das coisas pequenas e pensar em grandes projetos. Isso significa abandonar os valores antigos e descobrir o poder interno.

I Ching:

A idéia básica do I Ching, é o conceito de mutação, a eterna Lei que rege o universo. Entre os chineses essa Lei era chamada de Tao (o caminho e curso dos acontecimentos) e se manifestava através do “Grande Princípio Primordial” cuja representação é um círculo dividido em Luz e escuridão, yang e yin [, que segundo os estudiosos foi originado entre os magos ocultistas chamados Tangshih.

Entre as classes ocultas estabelecidas pelo antigos, o I Ching estaria ligado a Teoria dos cinco elementos ou poderes , princípios dinâmicos que estão em constante interação:

Água – que desce e molha; Fogo – que sobe e queima; Madeira – que se curva e se endireita; Metal – que é obediente e muda de forma; Terra – que pode ser semeada e ceifada.

Com o passar do tempo, a teoria do yin, yang foi relacionada a trigramas (sinal com três caracteres) e hexagramas (sinal com seis caracteres) do Livro das Mutações.

Nesse milenar oráculo chinês, o “12” representa a Estagnação. Orienta que deve haver diálogo para reunir as forças criativas do céu com as recptivas da terra. É chegado o momento de uma parada para análise no interno. As respostas estarão aí, com certeza.

Numerologia:

Estudo dos símbolos denominados números que representam o infinito. No contexto geral, esta ciência é responsável “pela dinâmica movimentação” da vida, sendo o ritmo a dimensão desses números.

O “12”, representa a unidade + dualidade.

A unidade é o “impulso”, o início, o princípio, o todo, mas também a força, a vontade, o começo.

A força dual do “2” é a síntese e a antítese. É a associação de onde surge o novo, o “filho”, o conhecimento, a iluminação.

Calendário Maia:

Os Maias, uma das civilizações mais brilhantes já existentes na Terra, nos deixaram várias relíquias. Entre estas calendários que ajuda o homem a libertar-se da escravidão que vem trazendo desde o seu início nesse planeta.

De acordo com o Calendário Maia, o “12” representa o “selo” ou portal Humano que significa livre vontade, sabedoria, condição de superação dos limites.

Portais:

Os portais são considerados vórtices ou portas energéticas, por onde uma grande quantidade de Luz pode transitar entre uma dimensão e outra, facilitando grandemente o crescimento vibracional de um sistema.

Nestas ocasiões, podemos em meditação, estabelecer uma fonte inesgotável de Luz beneficiando lugares ou pessoas.

A exemplo do portal 12:12, podemos dizer que nos abrem passagem para os Grandes Templos Invisíveis de poderes inefáveis cujas entradas começam em nós mesmos.

Anjos:

O reino dos anjos nos concede a aproximação de um dos seus eleitos angelicais através de simbologias, onde o “12”, representa Hahaiah, ou o refúgio para as horas de necessidade.

Que estes seres de luz, possam estabelecer entre Deus e os homens uma constante escada de Paz e iluminação.

Selo de Salomão:

Rei dos hebreus, foi tradicionalmente conhecido como um dos primeiros seres que, utilizaram a magia divina, na Terra. Usava escudos para proteção e para afastar forças que não fossem da luz, estruturados com energias angelicais.

Segundo as lendas muçulmanas, vários anjos presentearam o rei com pedras preciosas que o tornava poderoso absoluto sobre os quatro elementos e também sobre o quinto elemento – o éter.

Salomão criou um selo, síntese dos quatro elementos e a união dos opostos, formando uma estrela de seis pontas, com dois triângulos entrelaçados.

Podemos analisar esta maravilha, como o absoluto velado em símbolos e palavras. Supõe-se que é um princípio que fala e outro que é ouvido.

“O que está acima, é igual ao que está abaixo.” Sobre este princípio, estabelecemos aqui as quatro tríades do dogma universal, ou o “12” em sua completa demonstração de poder e força: Na Alquimia: química divina, união, transmutação. Na Teologia: Deus, retorno, redenção. Na alma: pensamento, amor, ação. Na família: (sentido universal da criação divina) pai, mãe, filho. Nas tríades sempre se encontram o fim e a suprema expressão do amor. Todos buscam nesse caminho uns aos outros como dois para finalmente nos tornarmos três.

A Hierarquia dos Doze Raios:

Os Raios são expressões de energia com características especiais e distintas.

Na Bíblia são chamados de “Espíritos diante do Trono de Deus” e são assuntos ainda pouco claros para o mundo atual.

Sendo a Chama uma atividade do Fogo Sagrado que é a vida de Deus, invocada e carregada com qualidades divinas, também é carregada com uma específica qualidade de Deus. É formada de pura energia, correspondente a cada Raio.

Um indivíduo ou grupo, pode chamar ou solicitar a presença destas Chamas em sua vida, para realizar um propósito específico.

Existem muitas Chamas e Raios que caracterizam o Fogo Sagrado. Esse Fogo que é a vida de Deus, passa através do Cordão de Prata, desde a Divina Presença, para dentro do coração do indivíduo.

Características dos Doze Raios:

1º Raio: O início, o impulso, a busca, as dúvidas. Percepção, vontade, poder, aspiração, abrindo a porta. Cor azul.

2º Raio: O insight, a compreensão, a sabedoria, a intuição. O imã cósmico, reconhecimento do próprio potencial, iluminação, poder do céu agindo sobre o terreno. Cor amarelo dourado.

3º Raio: O equilíbrio, a ativação da inteligência, dedicação ao propósito. O amor por si e por todos, em ação. Cor rosa.

4º Raio: A pureza do propósito. Harmonia após o conflito, o plano branco, a ascensão, a subida. Ordem, disciplina, prática da esperança. Cor branca.

5º Raio: O conhecimento concreto. A saúde, a cura além do físico, a verdade, a concentração. Corpo e mente sãos. Cor verde.

6º Raio: O guerreiro marcha. Devoção, ideal, paz, oração. Rumo à concepção . Herança divina. Cor vermelho rubi.

7º Raio: Ordem. Organização, liberdade, transformação. Um lar no coração de Deus. A família, o perdão, a compaixão. Cor violeta.

8º Raio: O senhor do silêncio. Clareza, a amizade, a prática do entendimento e do perdão. Entender a vida e o que ocorre ao redor. Cor lápis lazuli luminoso.

9º Raio: O entusiasmo. Harmonia. O despertar para abençoar a vida. Irradiação. Amor divino. Cor rosa chá luminoso.

10º Raio: O silêncio continua e se estabelece. É o dourado que chega. Integração cósmica. Filhos do universo. Todos somos unos. Ecologia, holismo. Cor dourado solar.

11º Raio: A ordem cósmica. Alegria. Propósito divino. Pousada em alfa. Crio um espaço interior para nele viver. Cor branco leitoso / opalino.

12º Raio: Integração absoluta. Fim da sementeira. A água. O grande vôo. Orar não é só pedir. O modelo divino. Eu Sou a ressurreição e a vida. Finalmente, nasceu! Cor madrepérola luminoso.

Obs: Atualmente, após o 12º Raio, já estão instalados na Terra mais 10 Raios, perfazendo o total de 22. O 22º Raio, estabeleceu-se para que a Hierarquia Cósmica trabalhasse a Transição Planetária na qual consta a mudança que o Planeta Terra vem enfrentando.

E, assim, o homem concebe a si mesmo como co-criador universal. Percebe que no universo ele é participante de toda a vida. Para ele, toda honra e toda glória.